Crack já invade classe média da Capital

"O crack nasceu nos guetos pobres das metrópoles, levando crianças de rua ao vício fácil e a morte rápida. Agora chega à classe média, aumentando seu rastro de destruição" (Antidrogas*)
O consumo de crack cresce em Campo Grande e já invade a classe média, segundo o superintendente da PF (Polícia Federal), José Martins Lara. Conhecida nas ruas de Campo Grande como ‘zuca’, a droga, um subproduto da cocaína, fatalmente deixa seqüelas nos usuários, em geral causa dependência química e uma vez escravo, é muito difícil se libertar da dependência.
Durante a queima de 24,5 toneladas de drogas ontem no frigorífico Bertin, o superintendente da PF fez um apelo ao poder público e disse que o cenário é resultado da falta de prevenção, grande obstáculo para os trabalhos policiais.
E.B.L. , de 25 anos, experimentou maconha aos 12 anos e aos 13 teve o primeiro encontro com a zuca e desde então, luta pra se livrar dela. “Aos 13 anos eu já era um adicto. É assim que se chama essa doença. A zuca é uma fuga da realidade, auto-destruição. A adicção é uma doença progressiva incurável e fatal”, desabafa. O rapaz estudou em escolas particulares e a mãe é pedagoga e o pai, servidor público.
O depoimento de E.B.L. ilustra o que o superintendente da PF alerta. “O crack é um sub-produto da cocaína. Há uma violência dessa droga na classe média porque é mais barata e chega arrebentando. A dependência é maior e a recuperação é mais difícil porque degenera”.
“Temos uma lei que apóia o usuário, mas não vemos nada para a prevenção. Vemos na sociedade que está se diluindo o uso de drogas e fica pra polícia o trabalho da repressão”, pondera por usa vez o superintendente da PF. “Nosso trabalho é uma gota d´água se não tiver a prevenção”.
A falta de prevenção é um reflexo das prioridades nas políticas, segundo E.B.L, que hoje está afastado do trabalho de telemarketing e faz tratamento terapêutica pra se livrar da dependência da ‘zuca’.
“Se tivéssemos mais lazer, cultura, esportes desde criança o tráfico não estaria crescendo do jeito que está. A gente quando quer se divertir em Campo Grande tem que ter grana. E eu vejo como muito importante o diálogo com os pais, mas como isso é possível se os pais chegam esgotados do trabalho e o diálogo é zero? O resultado tem sido o falso prazer na rua que supera estar em casa”, diz o jovem.
O superintendente da PF completa ao dizer que hoje no Mato Grosso do Sul, Campo Grande é um grande armazém das drogas vindas do Paraguai (maconha/haxixe) e da Bolívia (cocaína/pasta base/crack). “O atacadista sai do Paraguai, entra no Brasil e aqui em Campo Grande a região serve de paradouro, de armazém. A sociedade sul-mato-grossense precisa de programas muito fortes por conta disso”, defende.
Cracolândia
Na Capital é possível ver jovens nas ruas consumindo o crack na região da Vila dos Ferroviários, da rodoviária, nas imediações da Praça Ary Coelho, em ambientes que envolvem guardadores de carros, pessoas pobres. A ‘Cracolândia’, em São Paulo, (foto) passou por uma revitalização urbana e foi chamada pela prefeitura paulista de região da Nova Luz, mas, ainda é possível encontrar adolescentes ajoelhados diante do vício e envolvidos em batidas policiais.
Destruição
Segundo informações do site antidrogas.com.br, o crack leva 10 segundos para fazer o efeito, gera euforia e excitação; respiração e batimentos cardíacos acelerados, seguido de depressão, delírio e "fissura" por novas doses. "Crack" refere-se à forma não salgada da cocaína isolada numa solução de água, depois de um tratamento de sal dissolvido em água com bicarbonato de sódio. Os pedaços grossos secos têm algumas impurezas e também contêm bicarbonato. Os últimos estouram ou racham (crack) como diz o nome.
Cinco a sete vezes mais potente do que a cocaína, o crack é também mais cruel e mortífero do que ela, segundo informações do portal antidrogas. A droga tem um poder avassalador para desestruturar a personalidade, agindo em prazo muito curto e criando enorme dependência psicológica.
Os neurônios são lesados e o coração entra em descompasso (de 180 a 240 batimentos por minuto). Há risco de hemorragia cerebral, fissura, alucinações, delírios, convulsão, infarto agudo e morte. O sistema respiratório é destruído com a fragmentação do pulmão com congestão nasal, tosse insistente e expectoração de mucos negros.
A ação é uma tormenta. Os adictos sofrem de dores de cabeça, tonturas, desmaios, tremores, magreza, transpiração, palidez e nervosismo.
O consumo do crack por gestantes causa males incalculáveis. O crack induz a abortos e nascimentos prematuros. Os bebês sobreviventes apresentam cérebro menor e choram de dor quando tocados ou expostos à luz. Demoram mais para falar, andar e ir ao banheiro sozinhos. O resultado, são crianças com imensa dificuldade de aprendizado.
No organismo
1. O crack é queimado e sua fumaça aspirada passa pelos alvéolos pulmonares
2. Via alvéolos o crack cai na circulação e atinge o cérebro
3. No sistema nervoso central, a droga age diretamente sobre os neurônios. O crack bloqueia a recaptura do neurotransmissor dopamina, mantendo a substância química por mais tempo nos espaços sinápticos. Com isso as atividades motoras e sensoriais são superestimuladas. A droga aumenta a pressão arterial e a freqüência cardíaca. Há risco de convulsão, infarto e derrame cerebral
4. O crack é distribuído pelo organismo por meio da circulação sanguínea
5. No fígado, ele é metabolizado
6. A droga é eliminada pela urina