A Esperança do Céu

Nestes Quarenta dias que separam a Páscoa da Ascensão do Senhor, a Igreja convida – nos a ter os olhos postos no Céu, a Pátria definitiva a que o Senhor nos chama.

O Senhor prometera aos seus discípulos que, passado um pouco de tempo, estaria com eles para sempre. “ AINDA UM POUCO DE TEMPO E O MUNDO JÁ NÃO ME VERÁ” VÓS PORÉM TORNAREIS A VER –ME” ... O Senhor cumpriu a sua promessa nos dias em que permaneceu junto dos seus após a Ressurreição, mas essa presença não terminará quando subir com o seu Corpo glorioso ao Pai, pois pela sua Paixão e Morte nos preparou um lugar na casa do Pai, onde há muitas moradas.  “ VOLTAREI E VOS LEVAREI COMIGO, PARA QUE, ONDE EU ESTOU, ESTEJAIS VÓS TAMBÉM”.

A nossa morte será precisamente o encontro com Cristo, a quem procuramos servir nesta vida e que nos levará à plenitude da glória. Será o encontro com Aquele com quem falamos na nossa oração, com quem dialogamos tantas vezes ao longo do dia.

Da amizade com Jesus Cristo, nasce o desejo de nos encontramos com ele. O amor ao Senhor muda completamente o sentido desse momento final que chegará para todos. “ OS QUE SE AMAM PROCURAM  VER –SE. OS ENAMORADOS SÓ TEM OLHOS PARA O SEU AMOR”.

O pensamento do Céu ajuda – nos a superar os momentos difíceis. É muito agradável a Deus que fomentemos está esperança teologal, que está unida a fé e ao amor, e que em muitas ocasiões nos será especialmente necessária. “ A hora da tentação, pensa no amor que te espera no Céu. Alimenta a virtude da esperança, que não é falta de generosidade. Devemos alimenta – la nos momentos que a dor e a tribulação se tornarem mais forte, quantos nos custar ser fieis ou perseverar no trabalho ou no apostolado.

A meditação sobre o Céu deve também estimular – nos a ser mais generosos na nossa luta diária. O pensamento desse encontro definitivo de amor a que fomos chamados, vai nos ajudar a estar mais vigilantes nas nossa tarefas grandes e pequenas, realizando – as de um modo, como se fossem as últimas antes de irmos para o Pai.

Deus nos fez uma proposta de amor, de sermos homens novos, de vivermos com ele, de podermos participar de um projeto de Eternidade com ele. Mas ele não nos obriga. Convida –nos a sua proposta espera uma resposta. Nossa resposta pode ser positiva ou negativa. Ao amor posso pagar com amor, mas posso pagar também com indiferença.

Há uma coisa que Deus não criou porque não quis, e apesar disso existe, porque o homem criou, quando odiou, quando explorou seu irmão, quando matou, quando voltou sua face diante do pobre, do oprimido, do faminto, quando amou a si mesmo mis que seu próximo, quando se colocou no centro da vida, quando começou a construir sua cidade e se esqueceu de Deus, quando disse um sim a essa vida e um não a uma vida mais rica, mais fraterna e eterna. Quando o homem fez tudo isso, então surge aquilo que nó chamamos de Inferno. A frustração maior, contudo reside na ausência de Deus.

Diante do céu deveríamos nos calar. Estamos diante da absoluta realização humana. O céu é a realização plena daquilo que experimentos de bom aqui na terra. Sempre que na terra fazemos a experiência do bem, da felicidade, da amizade, da paz e do amor, já estamos vivendo de forma precária, mas real a realidade do céu. O céu não é contraposto a esse mundo; Mas deve ser visto como a plenitude deste mundo, livre de tudo o que o limita e fere, o divide e amarra.

A Felicidade da vida eterna consistirá antes de mais nada na visão direta e imediata de Deus. Está visão não é somente um conhecimento intelectual perfeitíssimo, mas também comunhão de vida com Deus, Uno e Trino. Ver a Deus é encontrar – se com Ele, ser feliz nele, Mergulhar – se no Divino. Da contemplação amorosa das três Pessoas divinas brotará em nos uma alegria ilimitada. Serão satisfeitas, sem termo e sem fim, todas as exigências de felicidade e amor do nosso podre coração.

Pensar no Céu dá uma grande serenidade, Nada aqui na terra é irreparável, nada é definitivo, todos os erros podem ser retificados. O único fracasso definitivo seria não acertamos a porta que nos conduz à vida. Ali nos espera também a Virgem Maria.