A Espiritualidade da Santa Missa

A Santa Missa é a atualização do Sacrifício de Cristo, portanto na Santa Missa acontece novamente o Sacrifício do Calvário; Jesus entrega novamente seu Corpo e Sangue a Nós.

 Somos convidados à participar desse acontecimento assim como Maria participou do Sacrifício do Calvário, estando aos pés da Santa Cruz e ao mesmo tempo percebendo e sentindo o Amor que Cristo tem pela Humanidade. Podemos  imaginar  a troca de  Amor entre o olhar de Maria ao pés da Cruz e olhar de Cristo Crucificado para ela. É com esse olhar de Maria que devemos participar da Santa Missa, numa comunicação profunda de Amor entre nós e Cristo.

Para que a nossa união com Cristo seja profunda na Santa Missa, é exigido que nos preparemos bem para participar desse acontecimento. No Missal Romano,  ou seja, no livro que o Padre usa para celebrar a Santa Missa, existe algumas orações que os Padres podem fazer, a fim de de se preparem bem para celebrar a Santa Missa. Mas todo o povo de Deus, deve se preparar bem para esse momento usando de alguns meios:
Chegar na Igreja bem antes do horário de início da Missa e visitar Jesus presente no Sacrário para pedir sua graça para esse  momento, pedir a intercessão de Nossa Senhora para que nos ajude a participamos do Sacrifico de Cristo, pedir a ajuda do Anjo da Guarda e São Miguel Arcanjo (antigamente, antes do Concilio Vaticano II, os Padres na celebração de toda Missa, rezavam a São Miguel Arcanjo pedindo sua ajuda).

Seria também de grande proveito, que antes da Santa Missa, em casa ou na Igreja, pudéssemos  ler as leituras da liturgia daquele dia, iríamos certamente na Santa Missa comungar mais profundamente a palavra de Deus, que tem o mesmo valor que as espécies Eucarísticas e assim entediaríamos melhor, o que o Padre vai dizer na Homilia e comungaríamos melhor a Eucaristia. A comunhão da Palavra de Deus, me prepara bem para comungar a Eucaristia e  a Eucaristia quando bem recebida pelo fiel , transmite força para que possamos  viver a palavra que ouvimos naquele dia.
A Igreja nos ensina que a nossa  Espiritualidade deve ser Trinitária, ou seja, devemos  ter uma comunhão profunda com cada Pessoa da Santíssima Trindade, na Santa Missa a Santíssima Trindade  está presente , portanto nela podemos viver uma comunhão profunda com Ela.

A Santa Missa inicia-se em nome da Trindade; no momento do ato penitencial, onde pedimos perdão ao Pai e à Cristo, pelos nossos pecados,  o Espírito Santo está trabalhando em nosso coração e nos convencendo dos nossos pecados e nos levando ao arrependimento. É claro que a Santíssima Trindade trabalha em nossa alma na Santa Missa, mas devemos dar espaço para que a Santíssima Trindade trabalhe profundamente em nós, no momento do Ato penitencial a Igreja recomenda que façamos um instante de silêncio para que possamos fazer um profundo exame de consciência, mas infelizmente por vezes não podemos fazer silêncio, pois o grupo de Música já começa  à cantar.

No momento das leituras, inclussive do Evangelho, onde Deus e Cristo falam conosco, o Espírito Santo está trabalhando em nosso Coração para que possamos acolher bem a palavra e também no momento da Homilia, o Espírito Santo está novamente trabalhando em nosso coração para acolhermos  bem a palavra.

A Igreja recomenda que após a homilia, façamos um instante de silêncio, para refletirmos e rezarmos sobre a Palavra que ouvimos, mas por vezes  temos dificuldade com o silêncio, as pessoas vêm à Missa em busca de emoções, querem cantar, fazer gesto, mas não rezam profundamente a Missa, a Missa não é lugar de euforias e busca de emoções, mas sim momento de oração, é o sacrifício de Cristo.
A Santa Missa é o Sacrifício de Cristo e como nos ensina o Catecismo da Igreja Católica, é também o Sacrifício da Igreja e então no momento do ofertório, ofertamos à nossa vida ao Pai, por meio de Cristo, na ação do Espírito Santo, é o Espírito Santo que nos leva a entregarmos nossa vida à Deus.

No momento da Consagração o Pai derrama o seu Espírito Santo sobre a nossa oferta do Pão e do Vinho, para que possamos ter Cristo presente entre nós. No momento da elevação do Corpo e Sangue de Cristo, feita pelo Sacerdote logo após a consagração, onde Cristo está se entregando a nós,  é momento de entregamos nossa vida a Ele através de um profundo silêncio e adoração.
Ainda refletindo sobre a Santa Missa, podemos perceber  a entrega de Cristo.           
Jesus Cristo derramou até a ultima gota do seu sangue, não somente pela humanidade inteira, mas por cada homem, como se só um homem tivesse existido na terra.

Cristo derramou até a ultima gota do seu sangue, para nos salvar, curar e purificar.
Cristo disse: “Este é o cálice do meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos os Homens para o perdão dos pecados”.
E no dia seguinte, no Calvário, um dos soldados atravessou-lhe o lado com uma lança e imediatamente saiu sangue e água, a ultima gota de sangue que lhe restava.

Cada pessoa, pode experimentar o Amor de Jesus., não tem como dizer que Ele não nos ama, Ele morreu por nós, derramou seu sangue por nós. Talvez se Cristo não tivesse morrido na Cruz, poderíamos duvidar do seu Amor, mas Ele morreu por nós, não tem como duvidar do seu amor. Cristo continua a derramar seu sangue por cada um de nós, Cristo disse: “Fazei isso em memória de mim”.
A Santa Missa é a renovação incruenta do sacrifício do Calvário, é um banquete em que o próprio Cristo se dá como alimento. O Senhor não encarregou os Apóstolos e a Igreja de simplesmente recordarem o acontecimento que presenciaram, mas de o atualizarem, de torná-lo real. Cristo entrega seu Corpo e Sangue por nós, por isso pela participação na Santa Missa podemos encontrar a libertação, a cura.

O Senhor está na Eucaristia como Médico, para limpar e curar as feridas que tanto mal fazem à Alma (curar e nos libertar do pecado, dos vícios) quando vamos visitá-lo no Sacrário, o seu olhar purifica–nos, mas  se quisermos, pode fazer mais ao nosso coração e enchê-lo de graças. Jesus Cristo não é insensível ao nosso sofrimento e por isso está na Eucaristia para trazer  paz e alegria. No momento da oração Eucarística, onde elevamos nossa intercessões ao Pai por Cristo no Espírito Santo, é um momento de profunda oração e de pedido pelas nossas necessidades como Igreja, que devemos realizar com concentração. E aqui podemos destacar algo importante: O Padre Leo Trese  no livro “Vaso De Argila” diz: O demônio não pode tirar a eficácia dos Sacramentos, cada sacramento tem sua própria eficácia e age por si só; mas o demônio pode atrapalhar a ação do sacramento em nossa vida, ele pode nos levar a distração em vários momentos da Santa Missa, quando o Sacerdote reza muito rápido a Santa Missa, quando não nos preparamos bem para a celebração.

No momento da comunhão, Cristo está agindo em nossa vida por intermédio de seu Espírito, que é derramado em nós quando comungamos e nos levando a sermos mais parecidos com o Pai. Depois da comunhão, a Igreja recomenda que façamos silêncio, é momento de profunda ação de Graças e agradecimento. Ao final da Santa Missa, somos enviados pela Santíssima Trindade à missão de sermos parecidos com Aquele que comungamos, pois a Eucaristia é o sacramento de conversão e o maior fruto da Eucaristia em nossa vida é a nossa Cristificação.