A Resistência a Insulina e a Possibilidade de Cura da Hepatite C

É conhecido que a resistência a insulina e um fator preditivo negativo na possibilidade de conseguir sucesso no tratamento de pacientes infectados com o genótipo 1 da hepatite C, não afetando o tratamento de pacientes infectados com os genótipos 2 e 3.
A resistência a insulina e medida pelo "INDICE HOMA-IR" do inglês, "homeostatic model assessment", é feito com base nas dosagens de insulina e glicose de jejum. Nos melhores laboratórios sempre que se solicita a realização da dosagem simultânea de insulina e glicose em jejum, o HOMA-IR é automaticamente e gratuitamente calculado.
Pesquisadores consideram que proteínas do vírus da hepatite C podem ser responsáveis por aumentar a resistência à insulina, a qual dificulta a erradicação da hepatite C. Existem diversos tratamentos para aumentar a sensibilidade à insulina e, no presente estudo os pesquisadores utilizaram a Metformina, um medicamento utilizado pelos diabéticos.
Foram incluídos 123 pacientes infectados com o genótipo 1 da hepatite C que apresentavam um índice HOMA-IR superior a "2". Uma parte deles recebeu 850 mg de Metformina três vezes ao dia e o outro grupo recebeu para efeito de controle somente um placebo. O tratamento foi realizado com interferon peguilado Pegasys de 180 ug/semana e ribavirina conforme o peso do paciente.
Considerando todos os pacientes infectados com o genótipo 1 que iniciaram o tratamento, o grupo que recebeu Metformina durante todo o tratamento conseguiu 53% de cura, contra 43% conseguida entre os que receberam o placebo, um aumento na resposta terapêutica de 10%. Ao se considerar somente os pacientes que completaram as 48 semanas os pacientes que conseguiram a cura foi de 67% contra 49% do grupo que recebeu placebo.
As mulheres que receberam Metformina obtiveram maior sucesso, com 58% das que iniciaram o tratamento curadas, contra 29% entre os homens.
Como efeito colateral produzido pela Metformina foi relatado a diarréia, a qual aconteceu em 34% do grupo que recebeu o medicamento contra somente 11% do grupo tratado com placebo.
Na semana 24 do tratamento a metade dos pacientes se encontrava com um índice HOMA-IR abaixo de "2", indicando que é perfeitamente possível reduzir a resistência a insulina durante o tratamento, aumentando a resposta terapêutica em pacientes infectados com o genótipo 1.
Fonte: Carlos Varaldo - Grupo Otimismo