Câncer de fígado já é a terceira causa de mortalidade

Artigo publicado no British Medical Journal alerta os médicos não especializados em fígado sobre a importância de prestar maior atenção as funções hepáticas de seus pacientes. O câncer de fígado (carcinoma hepato celular) já é a terceira maior causa de morte relacionada ao câncer no mundo. A cirrose e responsável por mais de 80% dos casos de câncer no fígado.

Em 1975, em cada 100.000 pessoas 1,4 faleciam por causa de câncer no fígado, mas passados 20 anos, em 2006, as mortes por câncer de fígado tinham praticamente triplicado e representavam 3,9 em cada grupo de 100.000 pessoas.

Os principais fatores de risco para desenvolver câncer de fígado são:

- Cirrose (por qualquer causa)
- Hepatite B
- Abuso de bebidas alcoólicas
- Esteatohepatite não alcoólica (depositos de gordura no fígado em pessoas que não abusam das bebidas alcoólicas)
- Diabetes
- Idade avançada
- Sexo masculino
- Antecedentes de câncer no fígado na família

Um infectado com hepatite B sem tratamento possui 100 vezes mais possibilidades de desenvolver câncer no fígado em relação a uma pessoa sadia. 2 em cada 100 indivíduos com cirrose, por qualquer causa, chegam ao câncer de fígado a cada 12 meses. O consumo excessivo de álcool aumenta o risco de câncer em até quatro vezes. Em individuos com HIV/AIDS co-infectadas com hepatite C, o câncer de fígado representa 25% das mortes relacionadas ao fígado. Pessoas diabéticas aumentam em até 3 vezes a possibilidade de desenvolver câncer no fígado.

Não existem estimativas exatas para outras causas de cirrose, mas o abuso de bebidas alcoólicas, a hemacromatose, a esteatoses (depósitos de gordura no fígado) são fatores importantes. Também a idade avançada, o sexo masculino, o síndrome metabólico, o peso acima do ideal e a diabetes são fatores independentes que aumentam a possibilidade do câncer no fígado.

A maioria das pessoas com câncer no fígado não apresentam sintomas físicos nas primeiras fases da doença. Somente na fase mais avançada e que sintomas característicos podem acontecer, como um incomodo no lado direito superior do abdome (junto às costelas) a icterícia (olhos amarelados e urina escura) a ascite (acumulo de fluido na barriga) varizes no esôfago, hemorragia digestiva, tromboses da veia porta e sinais de encefalopatia.

Todo paciente com suspeita de câncer de fígado deve ser imediatamente encaminhado a um especialista, pois a progressão do tamanho do tumor em geral e muito rápido.

Os exames iniciais são o de alfa-feto-proteina (AFP) no sangue e a ultrassonografia. Não são totalmente exatos, mas devem ser realizados em todos os casos suspeitos. Para confirmar o diagnostico o ideal e reunir imagens da tomografia, da ressonância magnética e da ultrassonografia, e o resultado analisado por especialistas em cada técnica, pois os nódulos pequenos muitas vezes são difíceis de identificar. Não se recomenda a biopsia do fígado, pois existe a possibilidade de hemorragia e disseminação do tumor para outros órgãos.

O tratamento do câncer de fígado compreende a cirurgia para retirada do tumor ou a ablação. A quimioembolização e a quimioterapia oral objetivam prolongar a vida do paciente, mas não são tratamentos para eliminar o câncer de fígado. O melhor tratamento e a retirada do tumor ou o transplante de fígado.

Quando não é possível a cirurgia para retirada do tumor ou, o câncer está na etapa inicial, a melhor opção de tratamento pode ser a destruição do tumor mediante radiofreqüência ou pela injeção percutânea de álcool etílico diretamente no tumor.

Atualmente se encontra na fase final das pesquisas um medicamento que aumenta a expectativa de vida, para ser utilizado especialmente para quem está aguardando um transplante de fígado. O Soraafenib consegue aumentar a expectativa de vida por até três meses.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Hepatocellular carcinoma for the non-specialist - British Medical Journal , 2009;339:b5039 - T Kumagi, Y Hiasa, G M Hirschfield - Gastroenterology and Metabology, Ehime University, School of Medicine, Ehime, Japan and Liver Centre, Toronto Western Hospital, Toronto, Canada

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo